O Jardim Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas, calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências, ordem e dispersões, transparência de estruturas, pausas de areia e de água, fábulas minúsculas. 
Geometria que respira errante e ritmada, varandas verdes, direcções de primavera, ramos em que se regressa ao espaço azul, curvas vagarosas, pulsações de uma ordem

composta pelo vento em sinuosas palmas. Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio. Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena. Sou uma pequena folha na felicidade do ar. Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis. É aqui, é aqui que se renova a luz. 

António Ramos Rosa

Portugal

n. 1924 Poeta/Ensaísta

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Winter / Fall

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